Toda escola tem o mesmo problema no fim do ano letivo: uniforme que encolheu, criança que cresceu e calças que ninguém mais vai usar. Para a maioria, isso vira lixo têxtil — e o Brasil descarta, em média, 170 mil toneladas de roupa por ano. Um projeto paranaense decidiu transformar esse descarte em matéria-prima de verdade: a cada 100 uniformes reciclados, 40 kg de fibra voltam pro mercado pronta pra virar pano de chão, feltro industrial e até novos uniformes.

A operação funciona em parceria com escolas públicas e privadas. Famílias deixam os uniformes velhos em caixas espalhadas pela instituição, uma startup recolhe e processa, e as próprias escolas podem comprar tecido reciclado de volta a um preço até 35% menor que o convencional. A conta da sustentabilidade fecha — e ainda baixa o custo do uniforme novo no ano seguinte.

A gente descobriu que não falta dinheiro pra reciclar têxtil. Falta logística. É nisso que o projeto foi desenhado. Um dos fundadores, engenheiro ambiental

Em 2025, o projeto processou 22 toneladas de uniformes — equivalente a cerca de 90 mil peças. A meta para 2026 é triplicar: chegar a 60 toneladas e entrar em cinco novas cidades. Pais e alunos adoraram a ideia porque, além de reduzir lixo, a escola ganha um selo verde que vira argumento de matrícula.

O próximo passo é fechar acordo com redes de atacado têxtil pra escalar a demanda por tecido reciclado no Brasil. "Reciclagem só funciona quando tem comprador do outro lado. Estamos criando esse mercado", conta o fundador. E deixa um recado pros gestores escolares: "A sua escola joga fora uma fortuna em fibra todo ano. Basta alguém coletar".